A sarcopenia é a perda de função muscular associada à perda de massa muscular ou da qualidade do músculo. Diferentemente da caquexia, a sarcopenia pode acontecer independente da presença de uma doença secundária. A sarcopenia é um processo muito frequentemente associado ao envelhecimento e costuma se intensificar a partir dos 60 anos de idade. No Brasil, quase um em cada 5 idosos são sarcopênicos. A perda dessa massa muscular reflete negativamente em outros desfechos clínicos dos pacientes:
A identificação precoce da sarcopenia possibilita uma intervenção imediata com grande benefício na manutenção da capacidade de realizar atividades que o paciente já praticava, além de melhora da qualidade de vida.
A sarcopenia passou a ser considerada como uma doença recentemente, por isso cada vez mais falamos sobre a importância de investigar e diagnosticar esta condição.
Alguns sinais fazem com que o desenvolvimento da sarcopenia seja suspeitado, são eles:
No caso de qualquer um desses achados estarem presentes, o médico deve avaliar a força muscular do paciente.
No consultório do médico existem algumas formas simples de avaliar a força muscular do paciente, como através da avaliação do grau de força da preensão da mão (através do dinamômetro de mão) ou da força das pernas (através do teste de se levantar e sentar da cadeira cinco vezes, que avalia o tempo que a pessoa demora para realizar essa tarefa).
Se a força da preensão da mão é baixa ou o paciente demora muito tempo na tarefa de sentar e levantar, esse paciente provavelmente tem uma sarcopenia, e é preciso investigar melhor as causas, assim como o tratamento da sarcopenia deve ser iniciado prontamente.
A sarcopenia pode ser confirmada através de alguns exames para investigação e documentação de redução da massa muscular e/ou da qualidade do músculo, como através da densitometria óssea de corpo todo, bioimpedância e exames considerados padrão ouro, como tomografia computadorizada e ressonância magnética. Quando exames de imagem não estão disponíveis, uma forma simples de fazer a avaliação da massa muscular é medindo a circunferência da panturrilha.
Além de diagnosticar a sarcopenia, é importante definirmos o quão grave é a doença, e esta avaliação pode ser feita através de diversos testes funcionais e de desempenho físico, como velocidade de marcha, caminhada de 400 m, timed up-and-go test e Short Physical Performance Battery.
A sarcopenia é considerada primária quando ela está associada ao processo de envelhecimento, e secundária quando associada a outras causas, como doenças crônicas, mas normalmente o desenvolvimento da sarcopenia ocorre devido a um quadro multifatorial.
As causas mais comuns são:
Quando a sarcopenia se instala de forma abrupta em menos de 6 meses, a caracterizamos como aguda; se o processo acontece de forma mais longa e insidiosa, a denominamos como crônica.
Importante frisar que os indivíduos obesos também podem ser sarcopênicos.
A meta proteica vai depender do perfil do paciente idoso. Nos saudáveis, a meta é entre 1 a 1,2 g/kg/dia, objetivando a manutenção e ganho de massa muscular. Orienta-se que a ingestão proteica se concentre nas refeições principais, com pelo menos 25-30 g por refeição.
Em idosos frágeis ou multicomórbidos, a meta é entre 1,2 a 1,5 g/kg/dia, em alguns casos chegando a 2 g/kg/dia, exceto em pacientes com insuficiência renal avançada.
Para idosos engajados em um plano de atividade física, a ingestão deve atingir, pelo menos, 1,2 g/kg/dia, podendo ser considerada a suplementação com 20 g de proteína após a prática do exercício físico.
Idosos tendem a ter uma redução da ingesta calórica além de uma piora na qualidade dos nutrientes consumidos. A melhor forma de consumir tanto as calorias quanto as proteínas necessárias diariamente é através de uma dieta saudável e de boa qualidade.
Quando essa meta proteica ou proteico-calórica não é atingida apenas com a alimentação, sugere-se a suplementação proteica ou proteico-calórica. Suplementos com aminoácidos essenciais enriquecidos com leucina ou β hidroximetilbutirato (HMB) mostram-se mais eficazes.
A melhor forma de prevenir a sarcopenia é manter níveis adequados de atividade física, especialmente através do treino com exercícios de resistência, associada a uma alimentação rica em proteínas, além de controlar bem as suas comorbidades, como pressão alta e diabetes.
Procure um médico geriatra que te auxilie no gerenciamento do seu cuidado e que te oriente sobre a melhor equipe multidisciplinar (nutricionista, fisioterapeuta e educador físico) a ser procurada para potencializar ainda mais o seu tratamento.
Referências:
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